Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Videogame
À espera
Para Wolf.
"Gunfire, sirens and screams... they were my lullabies..."
Uma criança
nascida em meio à luta,
criada em meio à luta.
Uma criança
que acorda de manhã
para encontrar
mais um amigo
morto.
Uma criança
sempre correndo,
itinerante infeliz,
desesperada em fuga eterna.
Sempre tendo que ir
embora para outra terra,
para uma terra sem mortos,
para uma terra que ainda não existe.
Uma criança
sempre esperando,
sem mover um músculo,
sem piscar um olho.
Esperando pelo dia
em que a terra deixará
de ser vermelha
do sangue daqueles que se foram.
Esperando pelo dia
que não vai chegar.
Uma criança esperando paz
por detrás da mira de um rifle.
Tragédia!
Crueldade!
Injustiça!
Milhões que não precisavam ter ido
se foram.
Nações inteiras que não precisavam partir
partiram.
E a dor jamais será menor.
Acredite ou não,
mas a grande verdade
é que matar
é fugir.
A sombra
Para Frank Jaeger
"Now... in front of you... I can finally die..."
Um homem
cansado
em busca de paz.
Um passado
esquecido
ao longo dos anos.
Uma vida de guerra,
luta feroz
de sangue e de lágrimas.
Uma sombra num mundo de luzes,
condenada a vagar sem destino,
destinada a encarar para sempre
os olhos de homens sem vida.
Angústia, dor e medo!
Conformação,
indiferença daqueles
que não podem mais sentir
e, ainda assim,
sentem.
Dor e medo, terror!
Saudade dos dias em que podia morrer,
saudade do tempo
em que poderia ter paz.
Homem saudoso da morte.
Homem saudoso do rugido do canhão,
do estampido
e do cheiro forte
da pólvora.
Homem saudoso de ser homem.
E por isso luta,
corta a carne e mata
até que algum dia
morra novamente.
Homem que sai
num frenesi sangrento contra toda a humanidade
até que alguém,
por fim,
também o mate.
E, por fim,
acaba morrendo.
Fim da luta contra a vida,
contra a vida ingrata
e maldita.
Paz e descanso
de um herói de trevas
num mundo de luz.
Um corpo
morto
caído no chão.
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Lançamento de livros!!
volume 1:
http://clubedeautores.com.br/book/2883--Delirios_de_um_maluco_sadio
volume 2:
http://clubedeautores.com.br/book/2884--Delirios_de_um_maluco_sadio
O site pelo qual estou publicando é o clube de autores (www.clubedeautores.com.br) e é interessante para quem quer publicar, pois ele não cobra nenhuma taxa. Quem quiser se informar mais é só usar o link acima.
E muito em breve um colega escritor também estará publicando um livro pelo mesmo site! O nome dele é Jurandir Rodrigues e vocês podem encontrar o link do blog dele no menu no lado direito do blog. Vale a penas conferir!
Bom, obrigado pelo apoio pessoal! Consegui realizar este sonho graças a ajuda e incentivo do Jurandir, da minha família, da Fernanda e de vocês, meus leitores! Muito obrigado!
Em breve novos poemas do maluco xD
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Vou publicar!
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Para sempre
Toda vez que estou contigo,
eu choro.
Eu choro a amargura profunda
de estar longe de ti.
Eu choro a tristeza destruidora
de não ouvir a sua voz.
Eu choro uma dor terrível,
terrível, terrível, terrível,
dor de não te ter comigo.
Eu choro uma ferida no peito,
eu choro uma chaga aberta
que chora sangue, que chora
a minha vida,
que me chora para fora de mim.
Eu choro um choro
de melancolia infinda.
Eu choro um gesto
de ser amado e compreendido.
Eu choro um olhar
de ternura, de carinho,
de olhar que quer o bem,
de olhar apaixonado com que te olho,
de olhar de amor com que me olhas.
Eu choro um abraço
apertado na eterna doçura de sermos dois.
Eu choro um beijo
que me dás no rosto,
no pescoço,
na boca,
no mais íntimo de minha existência,
na alma.
Eu choro uma alegria
que jamais em palavras
poderei expressar a ti.
Toda vez que estou contigo,
eu choro sorrisos.
Haikai de duas páginas
Haikai de duas páginas
Dizem que fazer
haikai não é pra dizer,
mas pra sugerir.
Cinco, sete, cinco.
São três versos que limitam,
tirano poema.
Mas de que me vale
essa escrita que se cala,
letra que não diz?
Palavra que morre,
de que me pode valer?
Futilidade.
Abismo de dor,
é profundeza sombria
um signo vazio.
Aberração, sim,
monstruosidade, horror,
é não se dizer.
Angústia terrível
de ter que em si se encerrar.
Quero me expandir.
Quero liberdade.
Quero o que quiser falar.
Efusividade.
Quero sem delongas
poder de toda palavra
servir-me liberto.
Quero assim poder
dizer com todas as cores
a minha visão.
Quero já abrir
meu coração revoltoso.
Declarar amor.
Esse sentimento
dizer com todo o meu ser:
eu amo você.
O cheiro verde,
consolo de tarde fresca,
da grama em teu corpo.
O nanquim escuro,
nesses teus belos cabelos,
é serenidade.
As lindas estrelas
do teu olhar mui profundo.
Nunca vi mais belas.
O toque macio
de lábios cor de carmim.
É um beijo doce.
Calor dum abraço,
terno unir de corações.
Ajuntar de almas.
Sensação tão doce,
misteriosa, é tal
esse amor que tenho.
Resposta que tenho
a dar por essa enorme
alegria em mim:
Por te amar assim
nasceu um sol, refulgente,
em meu coração.
Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
1°
1º
Eu vi uma lágrima cair
E se perder numa triste feição marcada
Pelo tempo e pela vida.
Eu quis fugir.
Eu desejei ir embora
Pra não voltar
Nunca mais.
Eu queria ficar longe de mim mesmo.
Mas um dia
Um doce, belo e meigo anjo
Pousou a mão sobre o meu rosto,
Beijou-me
E disse-me:
“Seja feliz!”
Uma menina pequenina,
Veio devagar, aos pulinhos,
Pegou-me pela mão,
Puxou-me com força,
Me fez correr livre pelo vazio que antes era eu
E me encheu de flores.
E se antes eu só enxergava como o mundo é vão
E vazio e negro,
Então pude admirar toda a cor que há nele.
E se antes eu só via como o homem é mau,
E rude e pobre,
Então pude ver como ele pode ser bom e gentil.
E se antes eu sentia que não havia nada para mim nesta
fria e triste existência,
Então eu soube que haverá sempre um sorriso,
Um par de braços num abraço,
Um afago
E um beijo,
E não quero nada mais.
Eu sorri,
Fiz alguém sorrir também,
E nada nunca me trouxe mais contentamento.
Então pude ser feliz
Vivendo uma unidade dupla deveras singular,
Estranha completude de ser dois
Chamada amor.
Fio
Fio
Um homem de 37 anos
morreu ontem
vítima de um infarto fulminante.
Pai de dois filhos, marido dedicado,
boa pessoa.
Fico pensando
como é ridícula a nossa existência
e como é tênue
a linha que separa
vivos e mortos.
Tremo.
Não, não tenho medo da morte,
tenho medo
de deixar a minha vida por fazer.

